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Unifran oferecerá cirurgia cardíaca em animais


03
December 2008

P1260599-250.jpgFapesp disponibilizou R$ 140 mil para o projeto da universidade
 
O Hospital Veterinário da Unifran recebeu da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) R$ 140 mil para a aquisição de aparelhos de ecocardiografia e eletrocardiografia computadorizada, material para cirurgia cardíaca, dentre outros. Esse valor refere-se ao financiamento aprovado pela Fundação do projeto intitulado "Anuloplastia valvar mitral por plicatura externa em cães com degeneração mixomatosa da valva mitral”, de responsabilidade do professor do curso de Medicina Veterinária e do Programa de Mestrado em Cirurgia e Anestesiologia Veterinária da universidade , James Andrade… “ Com essa verba montamos o Ambulatório de Cardiologia Veterinária, espaço que permitirá a realização de exames cardiológicos avançados, bem como a instalação de um serviço de cirurgia cardíaca em animais”, revela o professor.
 
Segundo James Andrade, a Cirurgia Cardíaca Veterinária é um serviço realizado por pouquíssimos profissionais especializados e centros cirúrgicos veterinários no País. Além das cirurgias, que serão realizadas no centro cirúrgico do Hospital Veterinário, o espaço disponibilizará os seguintes serviços: Eletrocardiografia Computadorizada Veterinária e Ecocardiografia com Doppler colorido —ultra-som cardíaco, com mapeamento de fluxo em cores—, que possibilitam diagnóstico preciso das cardiopatias, avaliação da necessidade de cirurgia cardíaca, acompanhamento pós-operatório, evolução do quadro, bem como as respostas ao tratamento médico ou cirúrgico.

A Degeneração Mixomatosa da Valva Mitral, também conhecida como endocardiose de mitral, acomete a valva mitral (antigamente chamada de válvula mitral). “Na prática, nada mais é do que uma válvula localizada dentro do coração, entre o átrio e o ventrículo esquerdo”, explica o pesquisador. A função dessa válvula é evitar que o sangue bombeado pelo ventrículo volte para o átrio. Quando a “válvula” está degenerada (doente), parte do sangue volta para o átrio esquerdo (ocorrendo  regurgitação mitral) e o coração cresce. “Com isso, ele comprime um dos brônquios e o cão começa a tossir constantemente. Com o passar do tempo, pode ocorrer edema pulmonar (água nos pulmões) e o animal, acaba indo a óbito por “afogamento”, complementa.
 
Não existe nenhum medicamento capaz de curar definitivamente ou reduzir a progressão da doença. No entanto, existem medicamentos que são utilizados para melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida, como diuréticos, vasodilatadores e antiarrítmicos. Os cães que não possuem os sintomas da doença não necessitam de tratamento, apenas de acompanhamento da evolução do quadro clínico. A única forma de cura seria a troca ou a correção cirúrgica da “válvula” mitral. No entanto estas técnicas requerem a circulação extracorpórea, — técnica aplicada nos casos em que o coração precisa parar de bater para que a cirurgia seja realizada. O sangue é desviado para uma máquina, que faz o papel do pulmão e do coração—,  um recurso escasso na Medicina Veterinária e praticamente indisponível no Brasil para tal fim”, revela James.

O projeto aprovado pela FAPESP propõe uma técnica que visará reduzir o grau de regurgitação mitral, pela realização de uma prega ao redor da “válvula”, externamente ao coração. A técnica, que dispensa a parada cardíaca e o desvio da circulação para a máquina extracorpórea, pode ser uma esperança no tratamento de cães com insuficiência cardíaca, principalmente nos casos avançados, em que o tratamento medicamentoso já não surte efeito.

Mais informações sobre o projeto pelo telefone 16 – 37118713, com o Prof. James Andrade.

 

Estatísticas

A endocardiose de mitral é a afecção cardíaca mais comum dos cães, correspondendo a 80% de todas as cardiopatias caninas e atinge principalmente raças pequenas (“toys”), como poodle, dachshund, lhasa apso, maltês, pinscher, entre outros. Os casos da doença estão relacionados com a idade e com a raça, acometendo em torno de 10% da população canina com idade entre 5 e 8 anos, 25% entre 9 e 12 anos e mais de 35% dos cães com mais de 12 anos de idade. Entretanto, dependendo do critério de avaliação, a incidência pode ser maior do que 58% em animais acima de 9 anos de idade. Deste modo, a doença pode atingir mais da metade da população canina idosa.

 

Como reconhecer a doença no cão?
 
Os animais podem ser portadores da doença, mas sem apresentar sintomas; porém à medida que a enfermidade avança, os principais sinais observados são tosse, dificuldade respiratória e cansaço fácil.  Nestes casos, o médico veterinário perceberá, pelo exame físico, a presença de sopro cardíaco. Os exames complementares, como ecocardiograma com Doppler colorido, radiografias torácicas e eletrocardiograma definirão precisamente o diagnóstico e a necessidade da cirurgia.