Notícias

Profundo conhecedor da história brasileira visita Unifran e grava matéria para TV


10
June 2008

foto2502.jpgO Prof. Dr. José Jobson de Andrade Arruda, professor titular da USP e Unicamp e Pró-reitor de pesquisa de Pós-graduação da USC-Bauru, foi recebido por Clovis Galdiano Cury, Reitor da Unifran, na manhã de terça-feira (10), no campus universitário. O professor Jobson faz parte de um grupo seleto de historiadores de expressão no país. É também escritor, autor de diversas obras, entre elas “Uma colônia entre dois impérios: a abertura dos portos brasileiros 1800-1808”, sua mais recente publicação.

Acompanhado pela Pró-reitora Acadêmica, Dra. Hercidia Coelho e pelo diretor do curso de História, prof. Marcos Alves, ambos da Unifran, Jobson conheceu a universidade, concedeu entrevista ao jornal Comércio da Franca e ainda gravou três entrevistas para o “Momento Unifran”, programa da Unifran veiculado na Nova TV, canal 9 (NET-Franca), um espaço dedicado a informações relevantes sobre diversas áreas do saber.

Durante sua visita, o professor apresentou novas interpretações sobre a história brasileira, principalmente em relação a abertura dos portos, cujo bicentenário é comemorado em 2008. A abertura dos portos, considerada o início do Estado brasileiro, sempre foi entendida como o resultado das pressões napoleônicas que resultaram na "fuga" da Família Real Portuguesa. “Essa é a interpretação clássica, tradicional”, afirmou. Segundo o historiador, as pesquisas recentes, entretanto, mostram que a vinda da Família Real é fruto de um projeto inglês articulado por George Canning, Secretário de Estado britânico no início do século XIX, muito antes da expansão napoleônica. Napoleão, portanto, assume, nesta nova interpretação, uma figura conjuntural e não mais o papel central que se imaginava até aqui. O estrutural é o interesse inglês em se apossar da rica colônia, o Brasil, que pertencia aos portugueses.

Segundo ele, os ingleses se acostumaram a ter vantagens enormes em termos de balança de comércio. Ou seja, o ouro brasileiro ia para Portugal e de Portugal para a Inglaterra. No final do século XVIII, isso não acontece mais. Inverte-se a balança comercial: os ingleses começam a mandar ouro para Portugal em troca das matérias primas que saiam do Brasil e inundavam os portos portugueses. Neste momento, os ingleses entenderam que era necessário um projeto para controlar as rotas comerciais que se iniciavam no Rio de Janeiro. Chegaram a organizar uma expedição militar em 1805 com 10 mil homens que invadiriam a cidade carioca. “Portantfoto250_24.jpgo, a vinda da Família Real, a abertura dos portos e os tratados comerciais que vieram depois, fazem parte de um mesmo projeto em que os ingleses são os personagens principais. Ou seja, se existem heróis e vilões, nesse caso, os vilões são os ingleses e não os franceses, em sua expansão na Europa”, revelou.

Depois de apresentar seu novo livro para a reitoria da universidade, o prof. Jobson, que também foi vice-presidente da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – fez um passeio pela Unifran e se revelou impressionado com a qualidade da Universidade de Franca. Assim ele se expressou: "Parabéns por esta escola: ela alia as melhores instalações universitárias que eu já visitei no Brasil com pessoal qualificado e comprometido com o ensino e a pesquisa".