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Pesquisadores buscam em plantas medicinais substâncias que agem contra a esquistossomose


13
April 2010

adhemar250.jpgO grupo coordenado pelo Prof. Dr. Ademar Alves da Silva Filho, pesquisador do programa de Pós-graduação em Ciências da Universidade de Franca, tem realizado várias pesquisas com plantas medicinais no intuito de encontrar princípios ativos que possam ser utilizados no desenvolvimento de medicamentos contra a esquistossomose. Estas pesquisas estão sendo desenvolvidas no Laboratório de Avaliação Antiparasitária do Grupo de Pesquisas em Produtos Naturais da Unifran em colaboração com pesquisadores da Universidade de São Paulo e são financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Durante o desenvolvimento das pesquisas foram encontradas algumas substâncias naturais promissoras, as quais foram capazes de causar diversos efeitos nos parasitos adultos de Schistosoma manson (parasita causador da esquistossomose), incluindo a morte e alterações morfológicas significativas. Outros estudos, realizados pela pós-doutoranda Lizandra Guidi Magalhães, do Laboratório de Avaliação Antiparasitária, estão em andamento para verificar o efeito in vivo desses compostos naturais em animais infectados pelo Schistosoma e também para identificar o mecanismo de ação esquistossomicida destas substâncias. Os resultados iniciais oriundos dessas pesquisas são promissores e podem contribuir para a descoberta de novos fármacos a serem utilizados no tratamento da esquistossomose, uma moléstia milenar que ainda atinge e mata milhões de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil.

A esquistossomose ou esquistossomíase, popularmente conhecida como “Barriga d’água”, é uma helmintose causada pelos parasitos do gênero Schistosoma. Esta parasitose faz parte das doenças tropicais negligenciadas, as quais ocorrem principalmente entre as populações pobres da África, Ásia e América Latina. A esquistossomose afeta mais de 207 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, aproximadamente 42 milhões de habitantes estão expostos ao risco de infecção e cerca de 7 milhões de indivíduos estão infectados pelo parasito. Além disso, em muitos casos há graves deficiências orgânicas no paciente, fazendo desta doença um dos mais sérios problemas de saúde nos países em desenvolvimento.

Desde a década de 80, o tratamento contra a esquistossomose é realizado através da utilização do medicamento Praziquantel. No entanto, inúmeros relatos têm demonstrado o crescente surgimento de linhagens resistentes a este medicamento, além do fato deste fármaco não previnir à re-infecção e ser necessário tratamentos repetidos em áreas endêmicas de ocorrência desta parasitose.