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Pesquisador tem projeto na área de ciências aprovado pela Fapesp


25
August 2009

Marcio_Piper_Cubeba.jpgO Prof. Dr. Márcio Luis Andrade e Silva, pesquisador na área de Química de Produtos Naturais e vice-coordenador no programa de Pós-graduação em Ciências da Unifran teve mais um de seus projetos aprovado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Saio Paulo).

Foi concedido ao projeto intitulado “Desenvolvimento de sistemas nanoparticulados e biodegradáveis contendo lignanas e avaliação in vitro e in vivo de suas atividades esquistossomicida e tripanocida” um “Difratômetro de Raios-X”, cuja função é fotografar moléculas de nanopartículas a fim de estudar o grau de incorporação do princípio ativo. Tal pesquisa tem como objetivo estudar a incorporação em uma formulação de liberação lenta e controlada dois fármacos eficazes contra a esquistossomose e a doença de Chagas. Pretende-se com essa formulação uma administração do medicamento a cada 3 meses, melhorando com isso a qualidade de vida dos pacientes.

Segundo o pesquisador, o aparelho, além de dar suporte para o projeto, dará apoio a todo o Grupo de pesquisa da Universidade. “O equipamento é um passo a mais na preparação dos dois futuros medicamentos para os ensaios pré-clínicos e clínicos para que logo possam ser admitidos no mercado e solucionar os problemas decorrentes da doença de chagas e da esquistossomose”, explica Márcio Silva.

Estão envolvidos no projeto os alunos do programa de mestrado e doutorado, o Priscilla_Marcio.jpggrupo de Sol-Gel composto pelos pesquisadores Dra. Kátia Ciuffi, Dr. Eduardo Nassar e Paulo Caleffi. Do grupo GPNUF, cooperam os pesquisadores Dr. Wilson Cunha e Ademar da Silva Filho. Priscilla Paiva, primeira bolsista da Unifran de Pós-Doutorado na área de Química, também faz parte da pesquisa.

Outra pesquisa que está diretamente ligada ao futuro medicamentos contra a doença de Chagas é o da aluna do doutorado em Ciências da Unifran, Ana Carolina Pereira, que está na Universidade de Mississippi, Oxford-MS Estados Unidos, realizando estágio de doutorado sanduíche, com duração de 6 meses. “No meu caso, estou utilizando os recursos previstos na minha bolsa de Doutorado apoiado pela FAPESP”.

carol250.jpgO tema do projeto que Ana Carolina (foto) está desenvolvendo é “Síntese e atividade biológica de algumas lignanas e neolignanas”, sob orientação do Prof. Dr. Márcio Luís Andrade e Silva e co-orientação do Profº Dr. Ademar Alves da Silva Filho. O projeto tem como objetivo principal sintetizar outras classes de lignanas e também neolignanas e avaliar essas substâncias quando obtidas contra a doença de Chagas e contra microrganismos da cavidade bucal.

 

Pesquisa sobre a Doença de Chagas

O estudo inédito sobre o medicamento capaz de, a princípio, controlar a Doença de Chagas foi patenteado nos Estados Unidos. A pesquisa realizada pelo Prof. Dr. Márcio Luis Andrade e Silva vem sendo desenvolvida há oito anos e os avanços nos estudos apontam que o medicamento surgirá de um composto obtido a partir da cubebina, uma substância extraída da semente seca da Piper cubeba pimenta asiática. O Prof. Márcio Andrade conseguiu chegar à definição após pesquisar por vários meses lignanas (substâncias ativas extraídas da Piper cubeba) com grande potencial anti-chagásico.  O mal de Chagas já infectou 16 milhões de pessoas no continente americano, sendo seis milhões no Brasil. O remédio mais utilizado no momento (benzonidazol) retarda os efeitos da doença, mas não promove a cura, além de provocar diversos efeitos colaterais.

A pesquisa despertou o interesse da JP Farmacêutica, de Ribeirão Preto. A assinatura de convênio entre a Universidade e a Industrias de medicamentos garantiu o financiamento de 50% dos recursos necessários para os testes em humanos. “Os testes clínicos são muito caros. Com a parceria, em breve, iniciaremos os ensaios pré-clínicos em animais”, revela o pesquisador da Unifran. A universidade e a empresa farmacêutica aguardam também uma resposta do Projeto de Inovação Tecnológica (PITE) enviado para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( FAPESP) que viabilizará o início dos testes pré-clínicos e clínicos .

Com o Apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto está sendo desenvolvido na própria Universidade, com a colaboração dos professores doutores, Paulo Marcos Donate e Rosângela da Silva, todos do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP). Nesse projeto estão envolvidos também os professores doutores Sérgio Albuquerque e Jairo Kenupp Bastos e o aluno de doutorado Gustavo Henrique Souza, ambos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP). “A participação da Unifran e da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) no desenvolvimento deste trabalho é de suma importância”, ressaltou o Prof. Márcio Andrade e Silva.

Detalhes sobre a Patente

As substâncias, de origem natural, que apresentam possibilidades de combater a Doença de Chagas não apresentaram efeitos colaterais e sua eficácia é de em quase 100% "in vitro", o que foi suficiente para a aprovação do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) do registro de patente.
O próximo passo foi solicitar depósito em forma de Patent Corporacion Treaty (PCT), no exterior. ”A patente é garantida em 130 países. Na Áustria, um escritório especializado em patentes já fez o exame técnico e não encontrou nada semelhante no mundo, ou seja, é uma patente inédita”, explica Andrade e Silva. Há 2 anos a patente foi depositada EUA, Japão e Europa. Recentemente recebi a notícia do escritório de Advocacia responsável pela parte legal do depósito que os EUA por acha de extrema relevância a patente de medicamento contra Chagas, concedeu a patente. Fato muito importante, pois tal concessão não ocorre facilmente.