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Novos Padrões de Relacionamento: Novas Possibilidades de Intimidade


12
November 2008

foto.jpgpor Bruna Cardoso Pinheiro (Estudante do 2º ano do Curso de Psicologia da Universidade de Franca) e Tales Vilela Santeiro (Psicólogo Clínico e Diretor do Curso de Psicologia da Universidade de Franca)

Com o advento da pós-modernidade diversas mudanças se processaram e se processam nos contextos social, político, econômico e cultural, o que gera influências diretas e indiretas no estilo de vida das pessoas.

O movimento feminista, a liberalização dos costumes, a liberalização sexual, a entrada marcante das mulheres no mercado de trabalho, além de trazer modificações no âmbito social, influenciaram a criação de novas estruturas familiares.

Se após a Revolução Industrial a família nuclear burguesa emergiu como o grande modelo de família, atualmente essa estrutura familiar convive com outras, como os casais de homossexuais, os casais que coabitam, os indivíduos que escolhem ficar solteiro, além das famílias chefiadas por pais solteiros, as famílias constituídas por avós e as famílias que coadunam num mesmo espaço parentes mais distantes e de gerações diferentes.

Apesar de o casamento ainda ser considerado como um modelo de relacionamento mais estável para a criação de filhos e garantir alguns direitos legais, a intimidade e o relacionamento sexual não estão restritos ao casamento. Outras uniões, como a coabitação, podem, além de oferecer um relacionamento próximo, oferecer maior liberdade aos parceiros.

De qualquer forma, a intimidade é um elemento essencial na vida do adulto, inclusive para aqueles solteiros. Ela envolve um senso de afiliação, o sentimento de pertencer a alguém, assim como através dela a auto-revelação se torna viável, que consiste na capacidade que o indivíduo tem de compartilhar informações sobre si, num contexto de confiança.

A intimidade favorece não apenas o amor e a sexualidade, como também a amizade. Ela está relacionada à saúde física e mental, sendo que indivíduos isolados, portanto sem relacionamentos íntimos, tendem a adoecer mais.

Também há que se observar que na mesma medida em que novos estilos de vida oferecem oportunidades para o desenvolvimento da intimidade, eles também podem se tornar fatores desencadeantes de estresse. Por exemplo, os casais nos quais ambos os integrantes estão inseridos no mercado de trabalho, que, além da atividade remunerada, exercem atividades domésticas, podem entrar em conflito se não houver uma distribuição eqüitativa das tarefas. Além disso, condições desfavoráveis de trabalho ou um exercício laboral desgastante podem desencadear o estresse ocupacional.

Os novos padrões de relacionamento que marcam a vida atual impõem ao jovem e ao adulto a necessidade de exercitar facetas de uma espécie de sabedoria interior: conciliar suas próprias expectativas com as condições objetivas de vida, de modo que desejos irrealistas não se convertam em frustrações e estresses excessivos. Caso contrário, o caminho para o distanciamento afetivo e social, e a conseqüente perda no que tange a intimidade serão respostas esperadas, embora empobrecedoras.