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Dia Nacional da Educação de Surdos


23
April 2008

surdo250.jpgAudição

Profª. Ms. Mônica Pires de Castro Mendonça
Fonoaudióloga Especialista em Audição e Linguagem Docente do Curso de Fonoaudiologia da Universidade de Franca

Define-se como a percepção dos estímulos sonoros, que são captados pela orelha e conduzidos à área cerebral correspondente, onde são analisados e interpretados pelo  indivíduo. A interpretação, que fornece sentido aos sons ambientais e de fala, torna o indivíduo capaz de desenvolver sua linguagem interna e a comunicação por meio da fala e da escrita, o que sem dúvida facilita a convivência social.

Ao nascimento, as estruturas do sistema auditivo (orelhas e áreas auditivas do cérebro) encontram-se formadas, porém a função auditiva só se desenvolve no momento em que a criança é exposta à estimulação sonora. Tal exposição favorece o desenvolvimento da habilidade de percepção de fala.

A integridade anatomofisiológica do sistema auditivo e do sistema neurológico associada a fatores como nível intelectual, aspectos psíquicos, desenvolvimento emocional, estimulação de linguagem, família, constitui um pré-requisito para a aquisição e desenvolvimento da linguagem oral e escrita.
Quando há alterações no sistema auditivo, dois tipos de distúrbios da audição podem  ocorrer: a perda ou deficiência auditiva e a desordem do processamento auditivo.

O distúrbio  mais conhecido ou reconhecido pela população é a perda auditiva, que dependendo do tipo e grau, tem efeitos que vão além da audição propriamente dita, leva a graves conseqüências no desenvolvimento global e comunicativo da criança. A desordem do processamento auditivo também gera alterações em vários aspectos da vida do indivíduo, que não só no comportamento auditivo, fazendo com que este apresente dificuldade em perceber  e compreender a fala em local ruidoso; dificuldades comunicativas tanto na oralidade quanto no nível escolar, entre outros aspectos.

Os distúrbios de audição (deficiência auditiva e desordem do processamento auditivo) levam à dificuldades no desenvolvimento psicossocial, emocional e lingüístico, que acabarão por interferir drasticamente no processo educacional e profissional do ser humano.

Atualmente, procedimentos de diagnóstico precoce da perda auditiva têm sido implantados por lei, viabilizando o início precoce do processo habilitação e reabilitação dos indivíduos deficientes auditivos.  A precocidade do diagnóstico e do processo de reabilitação auxilia  minimizar os efeitos negativos da perda auditiva sobre o desenvolvimento, porém, o preconceito social ainda impede que os deficientes auditivos  sejam vistos como realmente são, seres humanos, inteligentes e capazes de desenvolver inúmeras habilidades.  

Nós ouvintes necessitamos aprender  “ouvir” os deficientes auditivos, através das formas comunicativas que eles são capazes de desenvolver e utilizar. Afinal, somos todos da mesma raça humana.

 

A EDUCAÇÃO DE SURDOS
Profª. Heloisa Helena Vallim de Melo
Pedagoga especializada na área da surdez

Um dos maiores problemas enfrentados na educação de pessoas com surdez, principalmente quando se trata de uma perda severa ou profunda, é o que diz respeito à aprendizagem da língua escrita.

Isso ocorre porque para que possamos aprender a língua escrita são necessários conhecimentos prévios da língua oral da comunidade a qual estamos imersos.

As crianças com audição preservada adquirem de forma natural a língua materna através da interação e exposição a um ambiente lingüístico estimulador. No entanto, por ter a audição comprometida, as crianças com surdez necessitam de treinos constantes, intensos e precoces para adquirirem a língua oral, e quando necessário, ter contato com um surdo adulto fluente em língua brasileira de sinais (Libras), o quanto antes, para um desenvolvimento satisfatório da sua linguagem interna e, conseqüentemente, da sua cognição.

Infelizmente, na nossa realidade, podemos perceber que a maioria das crianças chega tardiamente para o atendimento pedagógico ou fonoaudiológico.

Este fator tem contribuído para o aumento nas dificuldades da aquisição tanto da linguagem oral, como da escrita. Precisamos informar a população sobre esta urgência de atendimento precoce para as crianças com surdez.

Atualmente, a proposta educacional inclusiva tem sido a utilizada na educação de pessoas com surdez. Nesta proposta, o aluno com surdez tem o direito a freqüentar a rede regular de ensino, em classes comuns, porém, é necessário que lhes ofereçamos, também, o atendimento educacional especializado, no contra turno, e, quando necessário, intérpretes em sala de aula, no caso do aluno que faz uso da libras.

Este parecer está regulamentado no decreto 5.626/2005, onde várias outras providências estão previstas e precisam ser colocadas em prática para que realmente tenhamos uma sociedade inclusiva, na qual a eqüidade seja respeitada.

Precisamos lutar pela implantação do atendimento educacional especializado, como a exemplo de outros municípios, que tem comprovado a sua eficácia na aprendizagem da pessoa com surdez.

O Bilingüismo, atual filosofia educacional na educação de surdos, preconiza que precisamos entender que o surdo, como um indivíduo bilíngüe, tem o direito a ter acesso às duas línguas, ou seja, a língua Portuguesa e a Libras. Somente assim estaremos respeitando-o em suas diferenças e especificidades.

É nossa responsabilidade viabilizar às pessoas com surdez o seu direito de crescer bilíngüe para que possam desenvolver plenamente as suas potencialidades.