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Descobrindo o Mundo, projeto da Unifran, é destaque do jornal Comércio da Franca


04
July 2007

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Nicole Assunção dos Santos (foto de Silva Júnior/Comércio da Franca) se diverte durante aula de Educação Física, no Centro de Educação Especial Descobrindo o Mundo 

por Nelise Luques / Comércio da Franca

Ana Paula Andrade, 27, passou por transfusões de sangue aos três meses de idade. Quando completou um ano, mexia apenas as mãos; o corpo era paralisado. A moça só começou a falar aos 5 anos. Conseguiu andar apenas depois dos 10. Ana Paula sofre de hipotireoidismo. A falta de hormônios provocada pela doença causou atraso no seu desenvolvimento mental. A difícil rotina de Ana Paula e sua família começou a ser escrita de outra forma após ela ser matriculada no Centro de Educação Especial “Descobrindo o Mundo” da Unifran (Universidade de Franca) há 19 anos.

A mãe, a zeladora Terezinha Gomes, fala emocionada da evolução da filha depois do acompanhamento gratuito com psicólogos, fonoaudióloga e professores oferecido pela universidade. “Devo a Deus e à classe especial da Unifran a vida que minha filha tem hoje. Lá ela encontrou seu mundo, convive com pessoas iguais a ela. Dá gosto de ver a Ana Paula correr para tomar o ônibus na hora de ir para a escola. A classe especial é o céu para ela e para mim, como se minha filha tivesse feito várias faculdades”, disse Terezinha.

Ana Paula está entre os 41 alunos entre 6 e 26 anos de idade atendidos pelo Centro de Educação. Criado em 1988 com objetivo de contribuir com a socialização de crianças especiais, recebeu no começo 11 alunos apenas, mas o trabalho expandiu. Hoje, são atendidos alunos com deficiência mental, dificuldades de aprendizado, síndromes ou que tiveram seqüelas depois de passar por tratamento contra câncer.

Com atividades de quatro horas diárias com pedagogas, assistência psicológica, educação física, atividades de coordenação motora, atividades de vida diária, como alimentação, banho e cuidados com a higiene, além de fisioterapia, odontologia, fonoaudiologia, neurológico e psiquiátrico, a entidade quer permitir que os alunos descubram, conheçam e consigam superar limites. O trabalho é desenvolvido por oito funcionários e estagiários da Unifran. A Prefeitura oferece transporte e parte da merenda servida todos os dias.

Os alunos são divididos em duas turmas. Pela manhã, alunos entre 6 e 12 anos têm aulas das 7h50 às 11h10; à tarde, a faixa etária atendida é de 12 a 26 anos e o horário das 12h50 às 16h10.

A professora Ana Paula Gonzales trabalha no Centro Especial faz três anos. Para ela, é uma rotina que requer muita paciência. “É gratificante trabalhar aqui. Apesar de terem dificuldades, esses alunos também nos ensinam. Aprendi com eles a acreditar na nossa capacidade e a ter mais paciência. Eles são capazes e superam suas próprias limitações”, disse a professora especializada em educação especial.

A dona de casa Maria de Andrade, 59, comemora as mudanças de comportamento do filho depois de inserido no projeto. Faz 15 anos que Hélio Andrade Júnior, 26, que tem síndrome de Down, estuda na classe especial. “Meu filho nasceu outra vez depois que começou a freqüentar a escola. Antes era tímido demais, tinha medo das pessoas, ficava pelos cantos e não conversava.

Hoje é feliz, comunicativo, fez amizades, faz natação, dança e está aprendendo a ler e usar o computador”.

Pâmela Cristina Nogueira, 12, também tem síndrome de Down, mas estuda na Unifran há menos tempo que Hélio -faz cinco anos. “Adoro ficar aqui e brincar com meus amigos”, disse a garota.

Quem tiver interesse pelo trabalho, deve entrar em contato com os responsáveis pelo telefone (16) 3724-2165 ou na na Rua Pedro de Toledo, 1301, atrás da Unifran. Há uma fila de espera, mas sempre surgem novas vagas.