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Curso de especialização em História – Brasil Contemporâneo: sociedade, cultura e política


22
February 2006

milton.gifPara entender a nossa história não basta conhecer as mudanças estruturais, políticas e econômicas é necessário entender de cidadania e educação, tem que adentrar no mais íntimo da cultura de seu povo. E até que ponto a modernidade e a modernização podem impactar a cultura de uma nação? Afinal, que nação somos nós? Qual nossa formação? Em que se baseia nossos princípios? Essas são algumas questões que devem ser discutidas no curso de especialização que a Unifran oferece para esse ano. Aproveitamos o momento para conversar com o coordenador da especialização “História – Brasil Contemporâneo: Sociedade, Cultura e Política”, Prof. Milton Andreza dos Reis e conhecer um pouco mais sobre essa complexa temática da identidade brasileira.

1 – A quem se destina o curso de especialização em História – Brasil Contemporâneo: sociedade, cultura e política.
O curso destina-se a professores formados na de ciências humanas, do ensino fundamental, médio e superior. Funcionários, gestores públicos e privados, profissionais liberais, empresários, jornalistas, comunicadores sociais, assistentes sociais, educadores,
arquitetos, advogados, graduados nas áreas de ciências sociais aplicadas e letras.

2 – Qual será o foco do curso?
A pós-graduação latu senso em História da Universidade de Franca tem com objetivo fundamental contribuir para a construção de um espaço de reflexão qualificada e, também, possibilitar ao aluno uma discussão sobre os processos estruturais de mudança social, política e econômica que tiveram curso durante o século XX. Nesta perspectiva, o curso concentra seu foco na relação intrínseca existente entre a dimensão nacional destas transformações e o mundo. Assim, discutir idéias e conceitos como o de modernidade e de modernização é um dos pilares do curso, mas, não somente, visto que analisar o impacto destas situações no interior da cultura, também esta em nosso cronograma. Ou seja, preocupada não apenas com as mudanças estruturais, políticas e econômicas, o contexto e o conceito, o curso, por meio de disciplinas que discutem cidadania e educação, preocupa-se principalmente com as dimensões culturais e sociais dos problemas atuais da sociedade brasileira.

3 – Movimentos como o MST, os Sem Teto e outros são fruto do abandono dos governos ao longo do tempo em relação à falta de uma política de inclusão e descaso das autoridades competentes? Existe algum exemplo prático, mesmo que de outros países, que poderia ser aplicado no Brasil?
Os trabalhadores sem terra, assim, como os “sem teto” e outros elementos que compõem estes movimentos sociais, de fato, são fruto direto da falta de uma política pública de inclusão social e econômica, que passa pela necessidade histórica de se fazer um reforma agrária. Contudo, muitos destes trabalhadores, também, são frutos das próprias contradições do universo do trabalho. Elementos que no movimento de modernização da indústria, tanto do campo como da cidade, ficaram de fora ou não conseguiram se adaptar aos novos tempos de concorrência. Quanto a um movimento social que, assim como o MST, reivindica a reforma do sistema político e econômico para que possa atender as demandas dos mais desfavorecidos, vale destacar o movimento dos coqueleiros na Bolívia. Movimento que apoiado por outros setores conseguiu eleger o atual presidente Evo Morales, basta agora esperar para saber se ele ira conseguir realizar as obras necessárias para transformar aquele país e abrandar a profunda crise na qual ele se encontra.

4 – O que se pode dizer da miscigenação cultural brasileira, e se a manutenção dessa cultura seria de fundamental importância para se manter a identidade de nosso povo?
Produto da própria vicissitude da historia nacional a miscigenação da cultura brasileira destaca-se enquanto um elemento fundamental da nossa identidade. Apesar de, em alguns momentos, dissimular antigos preconceitos à identidade brasileira miscigenada contribui para a construção de uma cultura da liberdade e de respeito entre as raças. Neste sentido, a cultura da miscigenação desponta como resposta não apenas para a superação destes antigos e profundos preconceitos que ainda detemos no âmbito da identidade nacional, mas, também, como resposta para o mundo ocidental, que somente após violentas guerras, se coloca o problema de buscar compreender a cultura do outro.

5 – Que avaliação você faria em relação à política de cotas nas universidades que o governo está adotando com a intenção de minimizar as diferenças entre as várias etnias de nosso país. Isso é positivo ou a contrapontos?

A política de cotas implementada pelo governo federal é positiva, mas ainda carece de inúmeros ajustes institucionais para o seu melhor desempenho. O principal problema está no fato de compreender a política de cotas como um instrumento para se resgatar a identidade, ou a dignidade das etnias menos favorecidas. Identidade, não se resgata e sim se constrói. O deslocamento do problema da educação também é outro condicionante, por mais que o diploma universitário contribua para melhorar a desenvoltura do cidadão no mundo do trabalho, é sabido que somente o ensino fundamental e médio prepara o homem para os problemas e situações posteriores. Assim, a política de cotas se apresenta como um importante um instrumento de modernização, porém, o problema da inclusão social não se resume a vagas na universidade.

6 – Uma dica pra quem estará fazendo este curso de especialização na Universidade de Franca.
Aproveitar ao máximo o altamente qualificado corpo docente. Além da biblioteca e videoteca da instituição.